Hora de regulamentar o Terceiro Setor

03 de janeiro de 2012 | 3h 04

Rodrigo Baggio, empreendedor social, é presidente do Comitê para Democratização da Informática – O Estado de S.Paulo

As organizações não governamentais (ONGs) ganharam força, no nosso país, a partir do processo de redemocratização política que se deu após o período da ditadura militar (1964 a 1985). Mas foi no final dos anos 80 que se intensificou o debate nacional e internacional sobre a incapacidade do Estado de atender às demandas sociais da população e a necessidade de fortalecimento da sociedade civil nesse processo, ampliando a difusão dos conceitos de Terceiro Setor e responsabilidade social corporativa.

Nessa época crescia no Brasil a consciência do empresariado a respeito da necessidade de se promoverem transformações sociais que fossem muito além do assistencialismo e atendessem às reais necessidades da população. E foi assim que, no início da década de 1990, surgiram importantes iniciativas voltadas para os campos da educação, da inclusão digital, do meio ambiente e da sustentabilidade.

Não podemos deixar de mencionar iniciativas importantes, como a Ação da Cidadania, criada em 1993 pelo sociólogo Herbert de Souza, o saudoso Betinho, a partir do movimento pela ética na política; e a Pastoral da Criança, fundada em 1993 pela médica pediatra e sanitarista brasileira Zilda Arns (falecida em 12 de janeiro de 2011 em Porto Príncipe, vítima do terremoto que devastou o Haiti). Em seu trabalho, a doutora Zilda aliou o conhecimento científico à cultura popular, valorizou o papel da mulher pobre na transformação social e mobilizou a sociedade civil e empresários na luta por uma vida digna para todos.

Além disso, organizações globais como a Skoll Foundation, a Schwab Foundation e a Ashoka desenvolvem um amplo trabalho de apoio e incentivo ao empreendedorismo social.

A Ashoka, por exemplo, é pioneira no campo da inovação social e há mais de 30 anos vem indicando e premiando profissionais desse segmento de atuação. Para eles, o Brasil, sem dúvida, pode e deve ser visto como terreno fértil para iniciativas voltadas para essa categoria. Os seus empreendedores sociais fazem parte de uma rede mundial de intercâmbio de informações, de colaboração e de disseminação de projetos. Essa rede é composta por mais de 2.700 empreendedores localizados em 70 países – incluindo o Brasil, com 320 profissionais.

As recentes denúncias que estamparam as páginas dos jornais e revistas brasileiros sobre a participação de organizações não governamentais em esquemas de desvio de verbas públicas não podem ser interpretadas de maneira simplista. Segundo dados da Organização Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong), com base nos números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem cerca de 340 mil ONGs no Brasil. E como fundador do Comitê para Democratização da Informática (CDI), ONG que atua há 16 anos na área de inclusão digital, com recursos oriundos do setor privado, posso garantir que a grande maioria dessas instituições sem fins lucrativos atua de forma séria e comprometida.

Essas notícias, que acabaram provocando a queda de três ministros do governo Dilma Rousseff – Carlos Lupi, do Trabalho, Orlando Silva, do Esporte, e Pedro Novais, do Turismo -, levaram a presidente da República a suspender no final de outubro, por 30 dias, todos os repasses de verbas federais para ONGs. O Decreto n.º 7.592, de 28 de outubro de 2011, determinava uma devassa em todos os convênios firmados entre o governo federal e essas organizações até o dia 16 de setembro do ano passado, quando foram estabelecidas regras mais rígidas para contratos dessa natureza. Somente foram preservados do bloqueio contratos ligados a programas de proteção a testemunhas, serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) e convênios com histórico de idoneidade, pelo menos, nos cinco anos anteriores.

Ainda segundo a Abong, as entidades civis sem fins lucrativos protestaram contra os danos morais que o decreto acarretou a milhares de organizações que desenvolvem projetos e ações relevantes para a sociedade. Além disso, a medida desviou o foco do problema para as organizações não governamentais, e não para os políticos que utilizam os seus cargos para efetuar práticas ilícitas.

De acordo com o Portal da Transparência, em 2010, do total de R$ 232,5 bilhões de transferências voluntárias do governo federal, R$ 5,4 bilhões destinaram-se a entidades sem fins lucrativos de todos os tipos, incluídos partidos políticos, fundações de universidades, etc. Ao todo, 100 mil entidades foram beneficiadas, 96% delas com transferências de menos de R$ 100 mil. Se juntarmos todas as denúncias contra ONGs publicadas na imprensa nos últimos 24 meses, as entidades citadas não passariam de 30.

Para evitar os excessos cometidos é fundamental e inadiável aprovar, e urgentemente, um marco regulatório que tangencie a atuação das organizações não governamentais – uma demanda já antiga das instituições que atuam no Terceiro Setor – e contemple o perfeito cumprimento das normas, por meio de auditorias técnicas eficazes e do estabelecimento de indicadores transparentes de qualidade e de fiscalização.

Na verdade, os escândalos que envolvem as organizações não governamentais têm sua origem num grupo de políticos corruptos que abusam de sua autoridade para desviar dinheiro público em benefício próprio. E esse quadro só vai melhorar quando a Lei da Ficha Limpa for devidamente aplicada e o Congresso Nacional acabar de vez com o voto secreto, que exime deputados e senadores de cumprirem suas responsabilidades.

A hora é esta e o Terceiro Setor precisa se unir e mobilizar todos os meios legítimos para defender essa causa. Chegou o momento de o governo federal tomar posição assertivamente e combater a corrupção de forma técnica e transparente.

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Projeto Email à Moda Antiga valoriza 3ª Idade

De um lado o CDI Santa Catarina que, entre outras atividades, oferece cursos de informática para pessoas de diversas faixas etárias. Do outro, o Asilo Irmão Joaquim. Assim, nasceu o Projeto Email à Moda Antiga, em que os alunos do CDI escrevem cartas usando ferramentas de editor de texto e as mesmas são enviadas aos voluntários do Asilo que as leem aos idosos. A iniciativa foi idealizada, em 2010, pela Marcca Comunicação, parceira do CDI SC, e tomou corpo no começo de 2011, unindo duas ações sociais.

No começo deste ano ocorreu a 1ª etapa do Projeto e, em novembro, foi realizada a 2ª fase. Mais do que apenas uma ação, o Email à Moda Antiga é um exemplo de valorização do idoso e um motivo para reflexão sobre o importante papel que a 3ª Idade desempenha na nossa sociedade.

Para Cleusa Regina, educadora do CDI Comunidade Jardim Atlântico, cujos alunos participam do projeto, a iniciativa tem grande importância para os alunos da instituição, pois é uma lição de cidadania. “Muitos alunos se emocionaram com as histórias contadas e alguns se propuseram a visitar o asilo antes do Natal.

No asilo, os relatos não são diferentes. A motivação e o interesse dos idosos cresceram em comparação com a 1ª edição do programa e muitos perguntam quando irão conhecer quem escreveu as cartinhas.

CDI Informa edição 17 | novembro/dezembro de 2011

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CDI-SC comemora 10 anos

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CDI-SC comemora 10 anos na promoção da inclusão digital em Santa Catarina


No dia 26 de setembro, o Comitê para Democratização da Informática em Santa Catarina – CDI-SC faz aniversário. A ONG que atua na inclusão digital de populações menos favorecidas na região da Grande Florianópolis, completa 10 anos de trabalho em prol do uso da tecnologia como ferramenta para combater as desigualdades sociais.

A instituição começou a funcionar em 2001, com apoio da Associação dos Usuários de Informática e Telecomunicações de Santa Catarina – SUCESU-SC, que cedeu uma sala em sua sede em Florianópolis. A matriz CDI foi fundada em 1995 no Rio de Janeiro. Em 10 anos de atuação, a ONG catarinense já capacitou aproximadamente oito mil jovens, crianças e adultos em Informática e Cidadania. “O CDI-SC tem orgulho dessa trajetória de atuação, de ter proporcionado a oportunidade a milhares de pessoas através das tecnologias da informação de, a partir dos conhecimentos adquiridos, exercerem sua cidadania com melhores condições de enfrentar o mercado de trabalho, participarem ativamente da sociedade do conhecimento e no convívio com uma geração informatizada”, afirma Heitor Blum S. Thiago.

O CDI promove projetos de incentivo à população de baixa renda, como o CDI Comunidade. São vinte e sete espaços de ensino espalhados na Grande Florianólis, onde acontecem aulas de informática básica e cidadania. Atualmente a instituição tem na sua rede de atendimento nove espaços de internet comunitária denominados Telecentros, em parceria com a Prefeitura Municipal de Florianópolis, que servem de apoio às pessoas que procuram um lugar para usar os computadores, impressoras e internet, com auxílio de monitores.

Em 2010, foi criado o Centro de Reciclagem Tecnológica (CERTEC), em Florianópolis, com o objetivo de reciclar e fazer o descarte correto dos resíduos tecnológicos de informática e oferecer cursos de desmanche e reciclagem de computadores, além de capacitações de manutenção e montagem de equipamentos de informática para jovens de baixa renda e portadores de necessidades especiais. O CDI conta com apoio de diversas entidades, que recolhem equipamentos de informática como computadores, laptops, teclados etc. Todos os materiais são encaminhados para o CERTEC, que através do programa de reciclagem do lixo tecnológico – ReciclaTec, faz o reaproveitamento dos equipamentos e os encaminha para os Espaços de Informática e Cidadania nas comunidades parceiras do CDI.

Como tudo começou

O CDI surgiu a partir da iniciativa do empreendedor Rodrigo Baggio, em 1995, quando este idealizou a campanha “Informática para Todos”, pioneira na América Latina, que arrecadou computadores para a população do Morro Dona Marta, em Botafogo, no Rio de Janeiro. Com o objetivo de ir além, o jovem professor se dedicou a ensinar a juventude daquela comunidade a manter esses equipamentos e, sobretudo, a extrair o melhor da tecnologia.

Assim, a necessidade de implantar na comunidade a cultura da informática, Rodrigo criou a organização não-governamental CDI, a primeira a realizar ações de inclusão digital sustentável em benefício de populações menos favorecidas.

Atualmente, o CDI está presente em 13 países: Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Inglaterra, Jordânia, Madri, México, Peru, Uruguai, Venezuela e Estados Unidos.

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Empresas catarinenses de tecnologia apoiam inclusão digital em Florianópolis

12/09/2011

A Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia – ACATE – e o Comitê para Democratização da Informática de Santa Catarina – CDI-SC – firmaram parceria a fim de promover a reciclagem de resíduos eletrônicos gerados pelas empresas. A entidade contribui desde o ano passado com o programa ReciclaTec e agora quer ampliar a participação das empresas associadas a doarem, além dos resíduos, equipamentos como computadores, monitores, entre outros.

Os eletrônicos em bom uso serão reciclados e preparados para serem usados em programas de inclusão digital da Grande Florianópolis apoiados pelas entidades. O Programa de Reciclagem Tecnológica (Reciclatec) foi lançado pelo CDI em 2010, com o objetivo de receber todo o lixo eletrônico descartado pela população. A iniciativa surgiu após a percepção do descarte incorreto desses materiais e a constante preocupação com o armazenamento e o destino correto de CPUs, laptops, monitores, teclados, celulares etc. Assim, surgiu a necessidade da criação do Centro de Reciclagem. Todos os equipamentos em boas condições de uso são encaminhados às comunidades ligadas ao CDI, onde ocorrem aulas de informática gratuitas à população.

Mais informações sobre as doações na secretaria da ACATE ou pelo telefone (48) 2107 2715

Assessoria de imprensa do CDI-SC

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O que fazer com o nosso lixo eletrônico

Luciani Gomes – Revista ISTOÉ – Edição 2182 – 02.set.11

O Brasil é o país emergente que mais gera lixo eletrônico por pessoa. E ainda estamos longe de saber lidar com o problema

Nunca os brasileiros renovaram com tanta rapidez os modelos de seus televisores, computadores, aparelhos de som e outros eletrônicos. Como consequência, surge um problema: ao adquirir um novo, o que fazer com o antigo? Quem não joga direto no lixo geralmente entrega para algum catador. Livra-se do problema doméstico, mas cria um ainda maior para o meio ambiente, já que esses produtos contêm uma série de metais e componentes químicos tóxicos. Enquanto o consumo aumenta, impulsionado pelo crescimento econômico, as políticas públicas para o descarte desse tipo de lixo não evoluem na mesma intensidade. Segundo um relatório da ONU, o Brasil é o país emergente que mais gera lixo eletrônico de computador por pessoa. “É preciso um trabalho de conscientização, além de um programa de metas e de multas para quem não cumpri-las”, defende Ronylson Freitas , 30 anos, diretor da empresa Reciclo Ambiental e da recente Associação Brasileira das Empresas de Reciclagem de Eletroeletrônicos. Enquanto isso não acontece, o problema só vem aumentando.

Existem hoje no Brasil cerca de 15 empresas de reciclagem de lixo eletrônico com licenciamento ambiental que dão a destinação correta aos materiais. Localizadas principalmente no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e em São Paulo, essas unidades são as responsáveis por fazer a coleta e a separação dos materiais e pelo envio para a reciclagem. Engenheiro ambiental da empresa gaúcha GR2 Gestão de Resíduos, localizada em Santa Maria, Gilson Pioverzan Júnior, 35 anos, diz que a quantidade de material reciclada é muito pequena se comparada com a que se produz, embora o interesse seja crescente – impulsionado pela criação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). “O serviço ainda não é economicamente atrativo para as empresas”, afirma. A Reciclo Ambiental, por exemplo, trabalha utilizando somente 10% de sua capacidade instalada, que é de 150 toneladas por mês.

CONSCIÊNCIA – Para Freitas, da associação de empresas do ramo, falta informação à população em geral

Também ainda são poucos os municípios que compraram a ideia. Pompeia, em São Paulo, é um deles. Há dois anos a prefeitura decidiu educar a população e oferecer solução ao problema. Foi feita campanha em outdoor, rádio, jornal e folhetos, além de palestras nas escolas. Lojas de eletrônicos viraram postos de coleta e a cidade já ofereceu destinação correta a 15 toneladas de eletrônicos. “Temos de cuidar bem do lugar em que vivemos. Ou então vamos tomar sopa de metal no futuro”, afirma Jomar Stradelli, 55 anos, secretário de Meio Ambiente. O município, no entanto, ainda é exceção. Iniciativas mais comuns no País são os grandes mutirões periódicos. Para Gustavo Fonseca, 24 anos, diretor da empresa americana de soluções para reciclagem TerraCycle, o problema está aí: a população ainda não sabe para onde levar esses produtos. “Nos EUA, por exemplo, existe uma indústria parecida com a das latinhas de alumínio para o lixo eletrônico. O Brasil não tem essa cadeia formada, a sociedade tem que ir atrás”, diz. As empresas têm até 2014 para se adaptar à PNRS, mas quem quiser se antecipar deve pesquisar as alternativas disponíveis em cada cidade. Eletrônico inútil é lixo perigoso e tem que ser tratado como tal.

Publicado em 02 de setembro de 2011 – Atualizado em 05 de setembro de 2011.

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LIXO ELETRÔNICO

DIÁRIO CATARINENSE
26 de agosto de 2011 | N° 9273

Descarte correto só em projetos

SC ainda não tem iniciativa estadual de encaminhamento de equipamentos sem utilidade e depende de programas privados

A lei que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) completou um ano, no início de agosto, depois de duas décadas de debate no Congresso Nacional. Mesmo assim, a determinação que prevê, entre outras coisas, a reutilização e tratamento de resíduos sólidos, a destinação final correta, para o meio ambiente, dos rejeitos e o aumento da reciclagem no país custa a sair do papel.

Em relação aos resíduos eletrônicos – como computadores, celulares, câmeras digitais e baterias –, a lei diz que os fabricantes e fornecedores deveriam estruturar sistemas de logística reversa, com o encaminhamento ambientalmente adequado dos produtos após o uso pelos consumidores. Na prática, a reciclagem depende de associações e organizações sem fins lucrativos.

Isso porque as discussões no Ministério do Meio Ambiente ainda não estipularam qual a dimensão da responsabilidade dos fornecedores, e estendem para o município e os estados detalhes de fiscalização e da operacionalização da legislação.

Segundo a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Sustentável, é necessário um plano para se aplicar o PNRS em SC. No mês passado, foi aberto um processo licitatório para a contratação de uma empresa que deve elaborar esse plano. A vencedora terá um ano para realizar o trabalho. Depois disso, devem ser estipulados prazos de adequação aos fornecedores e aos consumidores. Os municípios também ainda não se responsabilizam pelos resíduos.

Cresce, então, a importância de programas como o ReciclaTec, do Comitê para Democratização da Informática (CDI) de Florianópolis, que recebe 50 toneladas de equipamentos todos os meses, principalmente de componentes de computadores. O programa surgiu em 2001 para arrecadar matéria-prima para o projeto de inclusão social, que oferece cursos e disponibiliza telecentros – salas equipadas com computadores com acesso à internet – a 1,2 mil pessoas da Grande Florianópolis. Mas a responsabilidade com a reciclagem aumentou, e o ReciclaTec conta com parcerias da iniciativa privada e até da prefeitura da Capital.

São 19 pontos de coleta espalhados pela cidade, e o presidente do CDI, Heitor Blum Thiago, sonha com a ampliação do programa – que chega a encaminhar, por mês, 20 toneladas de peças que não serão usadas nos computadores para empresas especializadas em reciclagem:

– Temos condições de receber até cinco vezes mais material eletrônico do que recebemos hoje – calcula.

Preocupação com peças jogadas nas dunas

A preocupação ambiental foi o que também motivou Edson Alves. Há quatro anos, ele mobilizou uma limpeza nas dunas dos Ingleses, próximo à Comunidade do Siri.

– Fui com a mentalidade de encontrar muito papelão, mas encontramos uma montanha de tubos de imagem, comuns em computadores e aparelhos de televisão antigos – afirma.

Edson explica que, como os tubos contêm substâncias tóxicas, como fósforo e chumbo, que podem contaminar o lençol freático, ele decidiu investir em um projeto de reciclagem envolvendo a seleção de peças e o encaminhamento dos materiais a empresas especializadas. Atualmente, o Metarreciclagem recebe de duas a três toneladas mensais de lixo eletrônico. O presidente do projeto pretende alavancar o reaproveitamento com uma máquina que vem desenvolvendo para a absorção das substâncias dos tubos de imagem.

– Se você assume a função de reciclar, tem que receber material principalmente por ele ser contaminante e não apenas por ser economicamente viável – destaca Edson.

Um projeto de lei estadual proposto em 2008 que estipulava multa a empresas que produzem, comercializam e importam produtos e componentes eletroeletrônicos no caso da destinação inadequada foi arquivado no ano passado.

Campanhas incentivam recolhimento

As campanhas para recolhimento de material eletrônico costumam surpreender pela adesão. A Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) também realizou duas ações para recolhimento de lixo eletrônico em SP. Na primeira edição, foram arrecadadas 27 toneladas em dois dias. Na segunda ação, 7,5 toneladas de equipamentos foram recolhidas, entre computadores antigos, máquinas fotográficas e baterias.

– Queríamos comprovar que, quando existe um sistema regular e adequado, a população cumpre seu papel, sim – explica o diretor executivo da Abrelpe, Carlos Silva Filho.

Em SC, o programa Recicla CDL, da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de SC (FCDL), surgiu no ano passado e arrecadou 150 toneladas de material eletrônico, que foram encaminhadas a empresas especializadas em reciclagem. O professor do departamento de Geociência da Universidade Federal Érico Porto Filho destaca a importância da ação, pois os equipamentos contêm, por exemplo, chumbo e cobre, que podem contaminar rios, lençóis freáticos e o solo.

Pontos de coleta
Confira os pontos de coleta de lixo eletrônico na Grande Florianópolis no site www.cdisc.org.br no link ReciclaTec
A conta
Estimativa da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) de eletrônicos é de que serão comercializados em 2011 – e que, no futuro, se tornarão lixo
10 milhões de geladeiras
1,3 bilhão de pilhas
600 milhões de celulares
14 milhões de computadores

gabrielle.bittelbrun@diario.com.br

GABRIELLE BITTELBRUN

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CDI-SC e Comcap unem forças para incentivar a reciclagem eletrônica

reciclagem_eletronico
29/06/2011

O Programa de Reciclagem Tecnológica (Reciclatec) foi lançado pelo Comitê para Democratização da Informática (CDI-SC) com o objetivo de receber o lixo eletrônico descartado pela população para contribuir com a inclusão digital em comunidades menos favorecidas. Em junho deste ano, o CDI-SC formalizou uma parceria com a Companhia de Melhoramentos da Capital (Comcap), responsável pela coleta e destino de todo o lixo da Capital, a fim de unir forças na coleta seletiva de equipamentos como computadores, monitores, eletrônicos, entre outros, em Florianópolis.

A partir deste projeto conjunto, a Comcap se responsabiliza pelo recolhimento dos equipamentos eletrônicos que serão enviados ao depósito do Reciclatec, localizado no Centro de Reciclagem (CERTEC). A coleta seletiva será realizada uma vez por mês, em um bairro diferente, e os moradores ficarão sabendo através da divulgação em locais de maior fluxo de pessoas e busdoor nos ônibus que circulam no bairro.O presidente do CDI-SC, Heitor Blum S. Thiago avalia de forma positiva a iniciativa. “A parceria com a Comcap une esforços no sentido de dar um destino correto aos equipamentos de informática descartados pela população e empresas, e desta forma contribuir para a qualidade de vida dos moradores de Florianópolis”, ressaltou.

O programa de reciclagem de lixo eletrônico em Florianópolis teve início em 2010. Todo o trabalho é feito no Centro de Reciclagem (CERTEC), que foi idealizado pelo CDI-SC, com apoio da Associação Comercial e Industrial de Florianópolis (ACIF), da Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (ACATE), da Associação de Usuários de Informática e Telecomunicações de Santa Catarina (SUCESU-SC) e de empresas fabricantes, distribuidoras e revendas de equipamentos de informática.

A iniciativa surgiu após a percepção do descarte incorreto do lixo eletrônico, que cresceu em consequência do crescimento na venda de computadores e a renovação dos equipamentos pelos consumidores. A preocupação com o armazenamento e o destino correto desses materiais fez com que fosse criado o Centro de Reciclagem. Vários pontos de coleta na cidade recebem os equipamentos como: CPUs, laptops, monitores, teclados, celulares, etc, que se tiverem boas condições de uso, são encaminhados à comunidades ligadas ao CDI-SC, onde ocorrem aulas de informática gratuitas à população.

fonte: http://www.acontecendoaqui.com.br/posts/cdi-sc-e-comcap-unem-forcas-para-incentivar-a-reciclagem-eletronica

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Para onde vai seu computador velho?

O Brasil já é um dos maiores mercados de computadores do mundo e logo vai ser um grande produtor de lixo eletrônico. Estamos prontos pra cuidar de todo esse entulho?

Dizem que um carro zero-quilômetro perde valor assim que deixa a concessionária. Do computador, pode-se afirmar que, quando ele deixa a linha de montagem, provavelmente já está desatualizado. A diferença é que um carro tem valor de revenda, ainda que mais baixo. Já um PC antigo vale muito pouco. Tão pouco que muita gente nem tenta vendê-lo: joga direto no lixo. Esse fenômeno é comum nos países desenvolvidos, mas se engana quem acha que brasileiro não joga computador na lixeira. Em fevereiro, a Organização das Nações Unidas apontou o Brasil como o país emergente que mais gera lixo eletrônico per capita a partir de PCs. Os dados foram estimados, mas é fácil entender a equação. Em 2010, devem ser vendidos 13,5 milhões de computadores.
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CDL de Florianópolis firma parceria para promover destinação correta do lixo eletrônico

13/06/11

Ação desenvolvida com o Comitê para a Democratização da Informática vai mostrar a importância da reciclagem dos equipamentos que não são mais utilizados

A CDL de Florianópolis firmou parceria com o Comitê para a Democratização da Informática de Santa Catarina (CDI-SC) para conscientizar os lojistas sobre um dos maiores problemas ambientais da região: a correta destinação do lixo eletrônico. O objetivo é mostrar aos lojistas que o lixo eletrônico é extremamente prejudicial à natureza e que pode ser reaproveitado ou reciclado, com ganhos para o meio ambiente, além de gerar oportunidades em diferentes setores da sociedade.

O CDI disponibiliza cerca de 20 postos de recolhimento na Capital, onde qualquer tipo de equipamento eletrônico pode ser entregue. Desde o ano passado, a ONG possui uma estrutura para o recebimento e a destinação deste tipo de lixo, o Centro de Reciclagem Tecnológica (CERTEC), espaço para e desmontagem e avaliação dos equipamentos. “A partir da avaliação do estado do equipamento e das peças, destinamos ou para a montagem de novos computadores ou vendemos as peças para empresas de reciclagem, devidamente licenciadas”, explicou Heitor Blum S. Thiago, presidente do CDI-SC.

Na avaliação de Pedro Paulo de Abreu, presidente da CDL de Florianópolis, a parceria é importante especialmente pela crescente utilização de diferentes tipos de equipamentos eletrônicos em estabelecimentos comerciais. “Muitas vezes, o lojista não sabe para onde destinar esse lixo. Agora vamos divulgar os diversos pontos de recolhimento do CDI na cidade e informar da importância da reciclagem”, ressaltou.

Os computadores remontados pelo CDI são destinados para comunidades carentes, sendo diretamente beneficiados 30 bairros de Florianópolis. Nestes espaços, jovens têm acesso à inclusão digital por meio de cursos e apoio pedagógico. O CERTEC recebe hoje cerca de 50 toneladas/mês de equipamentos, mas possui capacidade para dobrar esta quantidade.

Saiba mais nos sites – www.cdisc.org.com.br ou www.cdlflorianopolis.com.br

(DeOlhoNaIlha, 10/06/2011)

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Telecentros promovem a inclusão digital em Florianópolis

18/05/2011 – SMCTDES – Tecnologia
Parceria entre a Prefeitura e o Comitê para Democratização da Informática disponibiliza oito telecentros para a comunidade
foto/divulgação: CDI

Telecentro no Bairro Jardim Atlântico

Utilizar a informática e a internet para mudar a realidade social e econômica de cidadãos e comunidades do município de Florianópolis é o objetivo da parceria entre a Prefeitura da Capital e o Comitê para a Democratização da Informática de Santa Catarina (CDI-SC), que mantêm oito telecentros à disposição da população. O trabalho de inclusão digital desenvolvido nos telecentros tem como proposta transformar vidas e fortalecer comunidades de baixa renda por meio da capacitação nas tecnologias da informação e comunicação e de um aprendizado complementar voltado à prática da cidadania e do empreendedorismo.

Os oito telecentros estão localizados nos bairros de Canasvieiras, Jardim Atlântico, Rio Tavares, Centro, Morro das Pedras, Itacorubi, Prainha, Aflodef e Fazenda do Rio Tavares e atendem cerca de 800 pessoas por mês. Nos telecentros, a população tem acesso à impressora e internet para consultas, estudo, trabalhos escolares, serviços públicos, confecção e envio de currículos. Nos locais, também são oferecidos cursos de informática e cidadania e empreendedorismo. Cada unidade tem um monitor encarregado de auxiliar o cidadão no uso dos equipamentos de informática.telecentro2

A Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Ciência,Tecnologia e Desenvolvimento Econômico Sustentável e do Instituto de Geração de Oportunidades de Florianópolis (IGEOF), repassa mensalmente recursos para a manutenção do projeto, iniciado em agosto de 2010. O CDI é responsável pela capacitação de monitores e pela política pedagógica aplicada nos telecentros, além de fornecer os equipamentos de informática e internet.

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